25 de março de 2010
O nada
Quantas vezes parou no tempo para ficar vendo a vida passar? A resposta deve ser próximo a zero vezes. Pare e olhe o universo girar, faça exatamente nada, você não irá se arrepender. No nada você enxerga o mundo do lado de fora, como se estivesse flutuando sobre a terra. Nunca vou esquecer, era dezembro de 2008. O sol a brilhar e eu a caminhar na avenida Ipiranga esquina com o terraço Itália quando as primeiras notas de uma música de jazz me fizeram parar no tempo. Maior que tudo, acima do barulho dos ônibus, buzina e trânsito irritante da zona central de SP, o som forte do saxofone penetrava em minhas veias saturadas do dia-dia. Sem pensar duas vezes esqueci de tudo e busquei a sinfonia. Sentado em um banco da praça (à frente da Lovestory) estava ele, o maestro e musico. Um velhinho surrupiado pelos anos de vida, com barba de bode branquíssima e um impecável sapato estilo John Lobb, uma figura. Fui ate ele. Ali, fechei os olhos. Contemplei a vida que passava a minha frente ao belo som do Jazz. Pensei no ontem, hoje e amanhã. E apesar de 1 ano e pouco no passado, lembro bem o meu estar naquele momento. E incrível como muitas das pessoas passavam sem piscar os olhos ou largar o maldito celular. Pois é, todos somos e vemos a vida de diferentes formas. Esse foi certamente o melhor nada que já fiz.
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